Eu nunca pensei que fosse escrever isso, mas tenho uma confissão a fazer... Em março estamos voltando definitivamente ao Brasil, metade de mim está radiante, finalmente vou reencontrar minha família e amigos queridos. A outra metade está em estado de alerta, não vou negar.
Estou há 11 meses em um lugar onde você pode comprar qualquer coisa de valor e usar na rua, sem medo de ser assaltada. Onde você abre o portal de notícias e não lê apenas sobre desgraças. Onde as pessoas, apesar de não gostarem, respeitam sua crença, cor, nacionalidade ou opção sexual. Onde ninguém quer ser melhor que o outro, só querem viver e ter paz de espírito! Moro em uma cidade pacata, saio e posso voltar caminhando as 2h da madrugada, independente da roupa que esteja vestindo, sem ter medo de ser estuprada ou sequestrada. Mas nossa Marcela, você está sendo pessimista e radical demais. Não, não estou.
Amo meu país, quem me conhece aqui no Reino Unido sabe disso e vê a minha empolgação quando o assunto é voltar pra casa. Mas a violência, a corrupção e a intolerância das pessoas vem me consumindo de maneira angustiante. Eu já me acostumei a viver em uma atmosfera como a brasileira, mas quando você conhece outra seus conceitos e sua visão de mundo mudam.
Eu tenho certeza que vou tirar isso de letra, mas será um caminho cheio de desafios. Estou pronta para o recomeço e espero que as coisas melhorem, que as pessoas sejam mais tolerantes e tenham mais empatia. Do contrário, não sei que mundo deixaremos aos nossos filhos e netos. Brasil, tô chegando em pouco mais de um mês! Espero dar meu melhor por ti e conseguir oferecer no dia a dia o melhor de mim. Vamos com tudo, bora fazer a diferença!

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